Um olhar do paraíso não foi um filme incrível, mas uma cena dele me impressionou e ainda me perturba. Enquanto a garotinha é emboscada e assassinada, a família dela está à mesa comendo tranqüilamente, se não me engano reclamando do atraso da pobre.

É claro que ninguém sabe o que está acontecendo. Tudo que você mais ama pode ser destruído enquanto você toma um suco de laranja na beira da piscina.

Você seria capaz de tudo, mas não pode por simplesmente não estar lá para ver. E enquanto isso, a sua vida segue mansa e normalmente. Está tudo bem com a família, enquanto eles não sabem que sua filha querida está sofrendo para então morrer.

Então, para que serve o amor? Nós existimos bem sem ele, não dependemos dele para viver, mas ele está lá. Sua função deveria ser capacitar seu dono para proteger o que ele ama. Como não existem heróis, todos nós teríamos um exclusivo, ou alguns. Um herói salvaria a mãe de qualquer pessoa; eu salvo a minha e você a sua, e assim todas as mães são salvas quando em perigo. (Ou pelo menos nós tentamos.)

Mas o amor não faz isso. Se é possível existir esse sentimento que, dizem, move montanhas, não vê barreiras, vence tudo, como ele não pode dar o mínimo sinal, mesmo que intuitivo, de que o que eu amo corre risco e precisa de mim? De que nos valem momentos de alegria juntos e infinitos momentos de tristeza depois, se no meio do caminho o amor não nos faz sentir nada? O amor verdadeiro está fadado a ser interrompido pela morte, e ele não é capaz de impedir a morte precoce por razão externa, a menos que os olhos estejam lá para ver.

O amor é um sentimento inútil, que só nos dá felicidade para alimentar o próprio amor e, no fim, se transforma inevitavelmente numa dor absurda.

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