(Esse post é de 1º de Abril. É tudo mentira!)
Assisti à minha primeira ópera. Infelizmente, no cinema. Felizmente, o Cinemark e outras redes estão com essas idéias. O Kinoplex passa ballet. Cultura para o povo que não pode ir até lá. (E quando vai, não perde tempo com essas coisas.)
Enrolei, enrolei e vi Carmen. Deixei o tempo passar e acabei vendo a última. Também, fui asustada por uma sinopse que dizia que o espetáculo tinha cinco horas de duração que me fez não querer ir mais. Cinco horas é muito tempo. Aí as propagandas de Carmen me animaram de novo. Carmen tem três horas. Três horinhas dá pra agüentar até filme sem intervalo. A ópera tem intervalo e um lindo relógio na tela por vinte minutos.
Sala lotada. Não imaginava. Não imaginava nada, se tivesse meio dúzia de gente também me surpreenderia. Mas acabei chegando atrasada à uma sala sem poltronas marcadas e sentei na segunda fila. Isso não me incomodou, a poltrona era das mais confortáveis que eu já provei e não fiquem tão perto assim. E foi 3D. Isso incomoda, três horas de óculos 3D não é fácil.
Bom, a ópera. A primeira e eu imagino que seja a última. Não foi bom. Não é legal.
O teatro musical encontrou o equilíbrio perfeito entre cantar e falar e um cantar gostoso. O teatro musical veio da ópera como sua evolução, seu aprimoramento. Eu, que sou apaixonada pelo teatro musical, sinto uma pequena vergonha quando penso que ele tem suas origens na ópera.
Talvez a ópera funcionasse quando não existiam microfones e as pessoas não tinham nada pra fazer. Um entretenimento precisava se arrastar por cinco horas porque era a única coisa que as pessoas podiam fazer de bacana. Mas hoje em dia nós precisamos de mais do que algumas horas de notas bem sustentadas e vibratos impossíveis.
Sobre Carmen em si. Roteirinho mais ou menos. É interessante como as pessoas se apaixonam. Eu nunca te vi. Eu te vejo por um segundo. Eu vou com você pra onde for, eu te amo mais que tudo pra sempre. E vidas inteiras são mudadas porque “eu estou apaixonada”. Depois vidas são mudadas porque agora eu amo ele, sai daqui você. É retardado.
O emocionante é ouvir as músicas que a gente ouve a vida inteira pelo mundo e não tem idéia de onde vêm. Ou tem, mas dentro da coisa é mais legal. Daí você percebe que a letra da música tem, sei lá, três versos, e pensa “mas é isso?”. Sabe? “To-re-ador! En ga-a-a-arde! Toreador! Toreador!”
Sem contar que é muito difícil achar alguém que cante daquele jeito e consiga passar alguma emoção. Ficou tudo meio vazio, um grande show de vozes e pouco sentimento. Mas um show de vozes talvez grande demais. Pouquíssimas coisas são faladas, mas quando falam, dá um alívio de ver uma frase dita rapidamente e não em trinta segundos de agudos e vogais deformadas. Quase não dá pra entender o que eles dizem; o que eles cantam, nem se a legenda fosse no próprio francês daria pra acompanhar. Aliás, é em francês. Eu não tinha idéia, mas gostei. Como estou aprendendo, o pouco que dava pra discernir eu realmente entendi.
Ainda bem, porque a legenda tava péssima. Tinha erros de português, erros de digitação e geralmente ela resumia duas frases numa só, e a platéia ficava boiando um tempo. E quando a música repetia dez vezes a mesma estrofe, a legenda só mostrava a primeira vez, o que, mesmo sendo a mesma coisa, a gente se perde e fica nervoso. Desagradou também o 3D. Não precisava. Ficou embaçado, com fantasminha, um horror.
No fundo, uma das maiores e mais maravilhosas óperas não passa de uma historinha de amor boba e solta, digna de Stephenie Meyer, camuflada num palco gigante, uma multidão espalhada fazendo coro e protagonistas com vozes absurdas, que, apesar de surpreendentes, cansam nosso ouvido. É uma coisa que a gente tem que ouvir por dez minutos e parar, pra dar aquela sensação de “que coisa perfeita, quero ouvir mais!” e não desgastar a platéia.
Eu compreendo que a ópera teve sua glória, mas até aí, a agenda eletrônica e o pager também tiveram. Hoje são absolutamente inúteis e só cabem num museu.
Parece que pela primeira vez eu não vou aos extremos. Não gosto muito de teatro e já decidi que não gosto de ópera. Vou ficar com (e recomendar apenas) o teatro musical, união e melhoria drástica das outras duas artes.
Eu devia ter sacado isso quando o filme “Callas Forever” realmente durou forever, e era só uma biografia…
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Post de primeiro de abril! =D
Eu adorei Carmen, foi maravilhoso! Depois faço justiça.
Putz. XDDDD
Quem não viu leva super a sério seu comentário. XDDD
Saco… odeio esse dia Bôzico. u_u
Eu vim ler o post sabendo que era de 1º de abril e pensando “Qual vai ser a pegadinha agora?”. Aí eu vi que era sobre Carmen e pensei: “Que estranho… acho que ela vai colocar alguma mentira no meio, qual será? Vou perceber dessa vez, ela não vai me pegar!”. >:D
E então eu terminei de ler o post REALMENTE ACREDITANDO que você não tinha gostado da ópera. E isso que eu tava lá! Sério, qual é a minha capacidade mental pra eu ter caído de novo nessa?
Aaaaai, aaaai… XDDD