Archive for the “Blog” Category
Posted on January 26th, 2012 by Flines in Blog
Em 2008, escrevi o post Meus bichos vermelhos e, naquela época, já fazia alguns anos do ocorrido. Então, nós podemos dizer que por pelo menos cinco anos eu carreguei essa dúvida, mas eu honestamente acho que já faz uns dez.
Mas eu descobri!
Por acasíssimo, caí no blog Diário de Biologia, e passeei por um bom tempo por posts sobre baratas e outros insetos. Tem uma coisa bacana lá, parece que as pessoas tiram fotos de bichos estranhos que encontram e a bióloga ilumina o caminho dos curiosos e desesperados. Mas eu não tirei fotos dos meus bichos, nem pra provar que eles existiram! E, de repente, olhando a seção “Que bicho é esse?” do site, achei. Achei! Eu tinha um resquício de esperança, mas a esperança dos tolos! E a tolice valeu!
Vamos ao bicho.

Eu o descrevi muito bem no meu post. E agora sei que é uma lagarta de mariposa. Bom, alguma mariposa, não todas. Os meus eram bem vermelhinhos, e eu julgo que foram perdendo a cor porque foram ficando adultos e perto da hora da transformação, mas provavelmente, por eu tê-los tirado das boas condições, morreram antes.
Em inglês, são chamados de hag-moth. E o texto que arrancou de mim uma das minhas maiores perguntas está aqui.
É isso. Mais um mistério resolvido. Estou muito emocionada com essa descoberta. E, principalmente, por ter certeza de que eu não inventei essas lembranças.
Viva! \o/
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Posted on December 30th, 2011 by Flines in Blog
Ninguém terá um bom ano.
Ninguém pode se julgar plenamente feliz num mundo onde uma pessoa igual a você não tem o que comer enquanto você rola de insônia na sua cama quente porque comeu demais.
Ninguém pode dormir em paz sabendo que a todo momento, em todos os cantos, um cachorro é espancado e queimado e um gatinho tem seus olhinhos furados por um garoto desocupado.
Não é possível rir satisfeito com a vida ciente de que no mundo inteirinho há muita dor. E não é essa sua dorzinha de coração imbecil. É dor na carne, dor desnecessária, causada pelo mal.
Mas é mais fácil fingir que não é com a gente. É gostoso acreditar que um hit de internet de uma mulher matando sua cachorrinha é um caso isolado. Horrendo, mas isolado. E passou. E virou piada. Mas tudo acabou. Agora o mundo é bom.
É tão mais gostoso ter a convicção de que não se pode fazer nada. É tão mais simples cuidar dos próprios problemas e acreditar que já é mais do que suficiente.
Esse é o mundo em que você vive. E se ele não é bom, parte dessa culpa é sua. Chega de ser feliz demais enquanto tudo está sofrendo e morrendo à sua volta. Ser feliz não é a sua única missão aqui. Faça alguma coisa boa por alguém, por um animal, pelo mundo.
O mal é grande e poderoso demais para as poucas e cansadas – mas incansáveis – forças do bem. Alguma coisa precisa ser feita por todos nós. Ou então ninguém terá a chance de ter um bom ano. Só os malditos e a gorda hipocrisia que dorme no nosso coração.
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Posted on October 5th, 2011 by Flines in Blog
If I should live forever and all my dreams come true
My memories of love will be of you.
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Posted on October 1st, 2011 by Flines in Blog
Magia que se tece
Poesia que emociona
Beleza que aparece
Tristeza que abandona
Do céu a lua desce
E o mundo se apaixona
Tudo isso acontece
Quando meu gato ronrona
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Posted on June 29th, 2011 by Flines in Blog
Ops! Passou o aniversário!
Nessa era do Twitter, ninguém mais quer saber de blogs, né. A não ser aqueles de blogueiros famosos. Ninguém tem muito tempo e vontade de ver o que uma única pessoa tem tanto a dizer. Só o que ela tem pouco a dizer.
Mas tudo bem. Também não foi por isso que eu dei uma abandonada no meu querido e idoso blog. A vida tá cheia e ao mesmo tempo vazia. E ao mesmo tempo plena. Tudo meio barroco.
Bom. Feliz Bloguio atrasadinho para mim, para o meu blog e para você, querido leitor fiel e surpreso em me ver.
Aparecerei em breve.
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Posted on April 1st, 2011 by Flines in Blog
(Esse post é de 1º de Abril. É tudo mentira!)
Assisti à minha primeira ópera. Infelizmente, no cinema. Felizmente, o Cinemark e outras redes estão com essas idéias. O Kinoplex passa ballet. Cultura para o povo que não pode ir até lá. (E quando vai, não perde tempo com essas coisas.)
Enrolei, enrolei e vi Carmen. Deixei o tempo passar e acabei vendo a última. Também, fui asustada por uma sinopse que dizia que o espetáculo tinha cinco horas de duração que me fez não querer ir mais. Cinco horas é muito tempo. Aí as propagandas de Carmen me animaram de novo. Carmen tem três horas. Três horinhas dá pra agüentar até filme sem intervalo. A ópera tem intervalo e um lindo relógio na tela por vinte minutos.
Sala lotada. Não imaginava. Não imaginava nada, se tivesse meio dúzia de gente também me surpreenderia. Mas acabei chegando atrasada à uma sala sem poltronas marcadas e sentei na segunda fila. Isso não me incomodou, a poltrona era das mais confortáveis que eu já provei e não fiquem tão perto assim. E foi 3D. Isso incomoda, três horas de óculos 3D não é fácil.
Bom, a ópera. A primeira e eu imagino que seja a última. Não foi bom. Não é legal.
O teatro musical encontrou o equilíbrio perfeito entre cantar e falar e um cantar gostoso. O teatro musical veio da ópera como sua evolução, seu aprimoramento. Eu, que sou apaixonada pelo teatro musical, sinto uma pequena vergonha quando penso que ele tem suas origens na ópera.
Talvez a ópera funcionasse quando não existiam microfones e as pessoas não tinham nada pra fazer. Um entretenimento precisava se arrastar por cinco horas porque era a única coisa que as pessoas podiam fazer de bacana. Mas hoje em dia nós precisamos de mais do que algumas horas de notas bem sustentadas e vibratos impossíveis.
Sobre Carmen em si. Roteirinho mais ou menos. É interessante como as pessoas se apaixonam. Eu nunca te vi. Eu te vejo por um segundo. Eu vou com você pra onde for, eu te amo mais que tudo pra sempre. E vidas inteiras são mudadas porque “eu estou apaixonada”. Depois vidas são mudadas porque agora eu amo ele, sai daqui você. É retardado.
O emocionante é ouvir as músicas que a gente ouve a vida inteira pelo mundo e não tem idéia de onde vêm. Ou tem, mas dentro da coisa é mais legal. Daí você percebe que a letra da música tem, sei lá, três versos, e pensa “mas é isso?”. Sabe? “To-re-ador! En ga-a-a-arde! Toreador! Toreador!”
Sem contar que é muito difícil achar alguém que cante daquele jeito e consiga passar alguma emoção. Ficou tudo meio vazio, um grande show de vozes e pouco sentimento. Mas um show de vozes talvez grande demais. Pouquíssimas coisas são faladas, mas quando falam, dá um alívio de ver uma frase dita rapidamente e não em trinta segundos de agudos e vogais deformadas. Quase não dá pra entender o que eles dizem; o que eles cantam, nem se a legenda fosse no próprio francês daria pra acompanhar. Aliás, é em francês. Eu não tinha idéia, mas gostei. Como estou aprendendo, o pouco que dava pra discernir eu realmente entendi.
Ainda bem, porque a legenda tava péssima. Tinha erros de português, erros de digitação e geralmente ela resumia duas frases numa só, e a platéia ficava boiando um tempo. E quando a música repetia dez vezes a mesma estrofe, a legenda só mostrava a primeira vez, o que, mesmo sendo a mesma coisa, a gente se perde e fica nervoso. Desagradou também o 3D. Não precisava. Ficou embaçado, com fantasminha, um horror.
No fundo, uma das maiores e mais maravilhosas óperas não passa de uma historinha de amor boba e solta, digna de Stephenie Meyer, camuflada num palco gigante, uma multidão espalhada fazendo coro e protagonistas com vozes absurdas, que, apesar de surpreendentes, cansam nosso ouvido. É uma coisa que a gente tem que ouvir por dez minutos e parar, pra dar aquela sensação de “que coisa perfeita, quero ouvir mais!” e não desgastar a platéia.
Eu compreendo que a ópera teve sua glória, mas até aí, a agenda eletrônica e o pager também tiveram. Hoje são absolutamente inúteis e só cabem num museu.
Parece que pela primeira vez eu não vou aos extremos. Não gosto muito de teatro e já decidi que não gosto de ópera. Vou ficar com (e recomendar apenas) o teatro musical, união e melhoria drástica das outras duas artes.
Eu devia ter sacado isso quando o filme “Callas Forever” realmente durou forever, e era só uma biografia…
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Posted on March 9th, 2011 by Flines in Blog
Lá pelas quatro da tarde, estava de carro na segunda pista de uma avenida dessas largas. Só eu. Na minha frente, meio longe, uma mulher feia, não dessas desarrumadas, dessas arrumadas de jeito feio, ajudava um senhor muito idosinho e debilitado a atravessar. No meu farol verde, fora da faixa e na velocidade daquele senhor. Honestamente, isso não me incomodou nem um pouco. No meu tempo, freei e quase parei a uns quinze metros dos dois. Ainda olhei pelo retrovisor para me certificar de que nenhum carro vinha na direção deles e estava tudo bem, assim como eu não estava atrapalhando ninguém.
A mal arrumada se deu ao trabalho de soltar o braço do senhorzinho para me mostrar o dedo enquanto me xingava de alguma coisa no meio de uma careta horrenda naquela cara feia.
O que eu fiz pra merecer isso?
Eu estava ali? Eu não parei meu carro quinhentos metros antes e corri pra ajudar? Eu não ofereci carona até o outro lado da rua? Sério, o que eu fiz?
É simples. Na cabecinha daquela feia, ela estava sendo tão incrivelmente nobre que poderia tranqüilamente rebaixar e pisar em qualquer um, ninguém chega aos pés dela. (Muito menos uma linda garota atrás de um volante de um carro em um dia útil e em pleno horário comercial.)
Mas isso não acontece com quem é bom. Quem é bom faz a sua bondade calado. A feia provavelmente é paga ou é parente do pobre senhor, e no sacrifício que ela acha que faz, vê o seu pedaço de céu garantido e ninguém tem o direito de atrapalhar, se é que alguém atrapalha de fato. Mas ela quer ser vista. Pra que ela possa inventar que eu atrapalhei, pra que ela possa me xingar e pra que ela possa acreditar que eu me senti mal de atrapalhar uma boa alma bem no meio da sua prática de bondade.
E eu me senti muito mal. Não por ter vindo correndo e buzinando naquela região de hospitais nem por ter ameaçado a vida daquele homem e daquela mulher feia e nem por ter rido da cara de susto deles. Eu não fiz nada errado. Eu só estava, naquele momento, não exercendo a bondade que ela exercia. Eu só parei o mais longe que eu consegui pra que eles tivessem a certeza de poder passar. E eu me senti mal por alguém ter a simples certeza de ser melhor que eu e eu sei que tem a certeza de ser sempre melhor que todo mundo.
É esse o mal do mundo. Eu me senti mal porque ela existe. Eu me sinto mal o tempo todo porque essas pessoas são uma ridícula maioria e estão em todos os lugares, todas sobre um pedestal feito por elas mesmas, todas na certeza de que o que quer que estejam fazendo, ou simplesmente fazendo nada, são melhores que todas as outras. Não num sentido de auto confiança e estima. Mas de um jeito podre, como se todo o resto fosse lixo perto delas. A sua existência em si já vale mais que a dos outros. É isso que significa ser humano.
É por isso que eu me senti mal. Até perdi o rumo da bela canção que eu estava cantando. E fiquei triste, me perguntando o que eu tinha feito afinal.
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Posted on March 1st, 2011 by Flines in Blog
Parece que todas as mulheres do cinema são lindas. (Ou assim nos forçam a acreditar, em muitos casos.) E é nesse clima de pós-Oscar que eu te pergunto: se cinco mulheres lindas e talentosas disputam um prêmio, como escolher uma só?
Fazer uma boa atriz bonita ficar linda é fácil. A partir daí, tudo que ela faz é lindo. Pegar uma não tão bonita e deixá-la linda também dá. Ai, caramba, esse bando de mulher perfeita sendo perfeita, que coisa complicada de escolher e que falta de originalidade!
É aí que aparece a bola da vez. Você pega uma mulher bonita e a transforma. Faz dela feia. De alguma forma, feia.
Sabe o que você ganha com isso? Bom, você (ou eu), eu não sei, mas elas ganharam.
Charlize Theron em Monster, em 2003.

Ok, ok. Esse foi o exemplo mais óbvio. Mas aconteceu, ué!
Então vamos voltar mais um ano e ver o que aconteceu por lá.
A sempre linda e loira e glamurosa Nicole Kidman (que inclusive está no Mulheres perfeitas) acrescentou um nariz ao seu nariz, ficou uns dias sem pentear o cabelo, acendeu um cigarrinho e fez uma cara de tédio infinito. Plim! Oscar. As horas, em 2002.

E olha que concorreu com a Salma Hayek de Frida!
Em 2004, aparece a Hilary Swank, com Menina de ouro. Mas ela sabia perfeitamente o que estava fazendo, já tinha aprendido no Garotos não choram, em 1999. Tudo bem que ela normal não é maravilhosa (ela é quase naturalmente feia), mas ainda tem o mérito em questão.

Mas meu exemplo favorito é a Marion Cotillard. Ela é bonita. É uma graça. Aí conta a vida inteira de uma pessoa feia que só fica mais feia e torta. Melhor atriz em 2007, com Piaf, que é muito bom mesmo.

E tem outros exemplos por aí. Até com homens. Até sem Oscar, mas com muito sucesso. Veja que não quero desmerecer ninguém, dos filmes que eu vi, elas mereceram. Dos que não vi, sei que é muito provável que tenham merecido. Mas é uma coisa interessante. Eu imagino que seja muito difícil manter a imponência da beleza. Não é fácil estar linda o tempo todo e provar o tempo todo que é linda. Aí, quando você se vê completamente transformada, deve ser muito gostoso. Olhar no espelho, se ver horrível e pensar “mas é exatamente assim que eu preciso ser agora!” deve ajudar demais na atuação. Além de ser muito divertido.
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Posted on February 24th, 2011 by Flines in Blog
Um olhar do paraíso não foi um filme incrível, mas uma cena dele me impressionou e ainda me perturba. Enquanto a garotinha é emboscada e assassinada, a família dela está à mesa comendo tranqüilamente, se não me engano reclamando do atraso da pobre.
É claro que ninguém sabe o que está acontecendo. Tudo que você mais ama pode ser destruído enquanto você toma um suco de laranja na beira da piscina.
Você seria capaz de tudo, mas não pode por simplesmente não estar lá para ver. E enquanto isso, a sua vida segue mansa e normalmente. Está tudo bem com a família, enquanto eles não sabem que sua filha querida está sofrendo para então morrer.
Então, para que serve o amor? Nós existimos bem sem ele, não dependemos dele para viver, mas ele está lá. Sua função deveria ser capacitar seu dono para proteger o que ele ama. Como não existem heróis, todos nós teríamos um exclusivo, ou alguns. Um herói salvaria a mãe de qualquer pessoa; eu salvo a minha e você a sua, e assim todas as mães são salvas quando em perigo. (Ou pelo menos nós tentamos.)
Mas o amor não faz isso. Se é possível existir esse sentimento que, dizem, move montanhas, não vê barreiras, vence tudo, como ele não pode dar o mínimo sinal, mesmo que intuitivo, de que o que eu amo corre risco e precisa de mim? De que nos valem momentos de alegria juntos e infinitos momentos de tristeza depois, se no meio do caminho o amor não nos faz sentir nada? O amor verdadeiro está fadado a ser interrompido pela morte, e ele não é capaz de impedir a morte precoce por razão externa, a menos que os olhos estejam lá para ver.
O amor é um sentimento inútil, que só nos dá felicidade para alimentar o próprio amor e, no fim, se transforma inevitavelmente numa dor absurda.
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Posted on January 8th, 2011 by Flines in Blog
A Disney quis mesmo levar todo mundo ao cinema sem saber o que era o filme de verdade. Toda a divulgação fez Enrolados parecer uma animação 3D comédia tirando um sarrinho da história da Rapunzel. Daí você entrava na sala com a sua pipoca e lá estava ele, todo brilhante e maravilhoso, o clássico.
Só que é muito engraçado.
A Rapunzel não é filha de pobres, é uma princesa. E seu cabelo tem de fato uma razão para ser compridíssimo, e não só pra servir de escada. Isso tudo é muito legal. As músicas são uma graça.
Agora eu preciso ver legendado, porque a voz do Luciano Huck no bonitão foi um incômodo. Nada contra ele, mas dá pra entender, né? Ficava esperando ele querer fazer um “Lar doce lar” na torre.
Eu esperava muito desse filme e mesmo assim fui surpreendida. Cinco estrelinhas e parabéns especial pros dois personagens animais.
A princesa é divertida e muito esperta e o galã faz o tipo Aladdin malandrinho com mais malandrice.
Deixa de nhenhenhe e vai ver.
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